dom. maio 26th, 2019

Brasileiro João Victor Marcari Oliva se destaca na Dressage Internacional

Filho da ex-atleta e ícone do basquetebol, Hortência Marcari, e do empresário Victor Oliva, de quem herdou a paixão pelos cavalos, João Victor Marcari Oliva, 21 anos, é considerado hoje o principal nome do Hipismo Adestramento (Dressage) do Brasil.

Desde sua estreia nas pistas em 2008, o jovem talento, que se tornou atleta militar (Sgtº Oliva) em 2015, soma importantes conquistas: melhor atleta do time Brasil de Adestramento nas Olimpíadas do Rio 2016; medalha de bronze por equipe no Pan-americano de Toronto 2015; atual campeão Sul-Americano individual e por equipe (Odersul/Chile 2014); melhor atleta da equipe brasileira nos Jogos Equestres Mundiais da Normandia, na França, em 2014; pentacampeão brasileiro (Amador em 2008, Mirim em 2009, Junior em 2010 e 2011, Young Riders em 2012) e único brasileiro na FEI World Cup Dressage Finals 2017, que aconteceu entre 29 de março e 2 de abril em Omaha, Nebraska, nos Estados Unidos.

Em busca de aperfeiçoamento técnico, João Victor se mudou em julho de 2014 para a Alemanha – país que é referência mundial no hipismo – passando a treinar com Norbert Van Laak, treinador de medalhistas olímpicos, mundiais e europeus, e a competir no circuito europeu com os tops mundiais da modalidade.

Depois da Final em Omaha, o cavaleiro retornou ao circuito europeu para disputa de concursos de dressage internacional de 4 e 5* em busca de novos índices para os Jogos Equestres Mundiais de 2018, nos Estados Unidos. Atualmente, ele é o único brasileiro com índices (3) para integrar a equipe brasileira.

No ranking da Federação Equestre Internacional (FEI), João Victor Marcari Oliva ocupa a melhor posição já alcançada por um atleta de Dressage no Brasil: o 122º lugar com 1.540 pontos montando Xamã dos Pinhais. É também o melhor resultado da temporada entre atletas da América Latina.

 

Além de cavaleiro 

Além de representar o Brasil internacionalmente, João Victor tem outros projetos em andamento: se consolidar como criador de cavalos Lusitanos e como treinador e preparador de cavalos próprios e de terceiros na Alemanha.

Estudioso das linhagens da raça e da produção de animais atletas, sempre esteve envolvido com o programa de reprodução do haras e logo depois dos Jogos do Rio 2016 tomou a frente da seleção dos animais da Coudelaria Ilha Verde, mesmo vivendo na Alemanha.

Outro projeto que começa a se consolidar é o de preparar e treinar cavalos próprios e de outros criadores brasileiros na Alemanha e apresentá-los para o mercado europeu. “Quero me tornar referência como cavaleiro profissional e na preparação do Puro Sangue Lusitano, treinando e apresentando bons cavalos. Minha ideia é ser uma ponte para os criadores brasileiros que queiram entrar no mercado europeu”, diz o atleta, que tem passaporte italiano, o que facilita seu trânsito no Continente Europeu. Acompanhe, a seguir, o bate-papo com o atleta.

 

Sua mãe é ícone do basquete e seu pai é um grande nome na criação de cavalos. Qual a influência que eles exerceram para você se tornar um atleta de destaque?

“Meu pai me influenciou muito por criar cavalos e minha mãe também por ser uma ex-atleta. Desde pequeno meu pai me colocava sobre os cavalos e todo final de semana tomava aulas de adestramento em nosso haras.”

 

O que o levou a optar pelo adestramento clássico (dressage)?

“Como nossa criação é de cavalos Lusitanos e eles se adaptaram bem a esse esporte, optamos pela Dressage.”

 

Desde sua estreia nas pistas, em 2008, quais foram suas principais conquistas até o momento? Qual vitória você considera mais marcante? 

“Nos campeonatos brasileiros: Ouro por equipe nos Jogos Sul-Americanos de Santiago; Ouro individual nos Jogos Sul-Americanos de Santiago; Bronze nos Jogos Pan-Americanos de Toronto; Campeão no CDI 3* de Nice; Campeão no CDI 4* de Barcelona. Já nos campeonatos nacionais na Alemanha posso citar: Participação em WEG, jogos olímpicos e final da Copa do Mundo de Dressage. Minha vitória mais marcante foi o bronze no Pan-Americano de Toronto.”

 

Fale sobre a mudança para a Alemanha. Foi fácil se adaptar ao novo estilo de vida? 

“Não tenho problemas com mudanças de vida. Claro que prefiro a vida no Brasil, mas na Alemanha está sendo muito bom pra mim como atleta.”

 

Como é sua rotina de treino, o que busca priorizar?

“Minha rotina de treino é montar pelo menos cinco vezes por semana os cavalos, além do trabalho de guia. Aos domingos, eles têm folga.”

 

Como você descreve sua relação com os cavalos?

“Posso dizer que não sei o que seria de mim sem eles.”

 

Fale sobre seu cavalo Xamã dos Pinhais. Quais os pontos fortes do animal e qual é sua idade?

“Xamã tem 14 anos, é um cavalo que tem um caráter diferenciado, coração muito grande, considero um grande amigo e companheiro de trabalho.”

 

Conheça melhor a dressage (ou Adestramento clássico)

O Adestramento ou dressage, como é conhecido internacionalmente, é uma modalidade olímpica de Hipismo e, dentre todas as manifestações esportivas da equitação, constitui o segmento mais clássico. As provas são disputadas nos diversos níveis de dificuldades e de categorias, podendo ser realizadas a céu aberto ou em pistas fechadas, em um cercado de 20x60m, em piso de areia. Os competidores devem executar, de memória, movimentos perfeitamente definidos pelo Regulamento de Adestramento, numa sequência pré-estabelecida (reprise), nas três andaduras naturais (passo, trote e galope).

Localizada em Araçoiaba da Serra, região conhecida como o “cinturão do cavalo” do Estado de São Paulo, Brasil, e distante cerca de 150 quilômetros da capital paulista, a Coudelaria Ilha Verde iniciou oficialmente a criação de cavalos Lusitanos em 1992, estabelecendo rigoroso trabalho de seleção desde a primeira safra de animais de “ferro VO”. Idealizador do plantel, Victor Oliva adotou como tripé da seleção a genética, o manejo e a aptidão dos animais. Aliado a isso, está uma infraestrutura de ponta.

Instalada em uma área de 54 alqueires, 35 dos quais destinados ao pastoreio dos animais, a Coudelaria Ilha Verde dispõe de vinte piquetes formados por Tifton 85, três pavilhões de cocheiras com 60 baias, três pistas de Adestramento (20m x 60m), uma pista coberta (20m x 40m), uma pista para treinos de Equitação de Trabalho e Salto (70m x 80m), e dois redondéis, um deles mecanizado. Também faz parte da área construída a sede e casas de funcionários, dez deles dedicados exclusivamente ao manejo e treinamento dos cavalos.

Em 2003, a Coudelaria Ilha Verde começou a marcar presença nas pistas de competição, inicialmente na Equitação de Trabalho, mas foi no Adestramento Clássico, a partir de 2006, que a Ilha Verde passou a atrair olhares nas pistas nacionais e internacionais, inicialmente com Rogério Clementino, ginete do haras e primeiro afrodescendente a integrar uma equipe olímpica da modalidade, e a partir de 2008 com os irmãos Antônio Victor e João Victor Marcari Oliva.

Conselho de ex-atleta

 

Como ex-atleta, Hortência sempre incentivou o filho a praticar o hipismo, mas confessa que procura não entender muito do esporte para não sofrer. Confira!

“Eu procuro não me envolver muito com a parte técnica do esporte do João Victor, deixo mais para o pai dele fazer isso. Procuro não entender, para não sofrer. Então, eu assisto à competição e quando termina eu pergunto: ‘e aí, ele foi bem?’ (risos). Procuro, no entanto, cuidar da parte dele como atleta, das coisas que podem prejudicá-lo fora das pistas. Porque, como ex-atleta que sou, entendo muito bem os sentimentos, as vontades, os desejos, a ansiedade que podem estar se passando pela cabeça dele nas competições. Nas Olimpíadas, por exemplo, fiz uma palestra só pra ele e falei que estava falando não como mãe, mas como uma ex-atleta que foi campeã mundial, enfim, que conseguiu chegar aonde queria. Expliquei para ele tudo o que poderia ocorrer durante as Olimpíadas e que poderia vir a causar algum problema para ele, e disse que ele tinha que ficar com os olhos bem abertos. Procuro, então, focar mais nessa parte.”

 

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